Genial, de fato
O romance A Amiga Genial , de Elena Ferrante, clama por análise desde a perspectiva mimética, e, na falta de outros que o façam, aventuro-me eu aqui a dar um pequeno pitaco girardiano. Na superfície do texto que narra a história de Lenu e Lila, é incontestável que o modelo é Lila, com seu brilhantismo, revolta e destemor. É a própria Lenu quem o diz, abrindo as veias da sinceridade para explicar sua relação com a amiga já na infância, quando o pensamento mágico, que associa numa relação causal fatos sem relação de causalidade, inspira-lhe a ideia de que, se seguisse os passos de Lila, não lhe acometeria o aleijão da perna da mãe. Deixo vocês com as palavras de Lenu: "Mas o certo é que justo naquele período me surgiu uma preocupação. Pensei que, embora minhas pernas funcionassem bem, eu corria o risco permanente de me tornar manca. Acordava com essa ideia na cabeça e me levantava logo da cama para ver se minhas pernas ainda estavam em ordem. Talvez por isso me tenha fixado em...