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Genial, de fato

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O romance A Amiga Genial , de Elena Ferrante, clama por análise desde a perspectiva mimética, e, na falta de outros que o façam, aventuro-me eu aqui a dar um pequeno pitaco girardiano. Na superfície do texto que narra a história de Lenu e Lila, é incontestável que o modelo é Lila, com seu brilhantismo, revolta e destemor.  É a própria Lenu quem o diz, abrindo as veias da sinceridade para explicar sua relação com a amiga já na infância, quando o pensamento mágico, que associa numa relação causal fatos sem relação de causalidade, inspira-lhe a ideia de que, se seguisse os passos de Lila, não lhe acometeria o aleijão da perna da mãe. Deixo vocês com as palavras de Lenu:  "Mas o certo é que justo naquele período me surgiu uma preocupação. Pensei que, embora minhas pernas funcionassem bem, eu corria o risco permanente de me tornar manca. Acordava com essa ideia na cabeça e me levantava logo da cama para ver se minhas pernas ainda estavam em ordem. Talvez por isso me tenha fixado em...

Agostinho para Zenóbio

  Escrita cerca de 386-7 A.D.   Agostinho deseja falar com Zenóbio ao vivo e o exorta a terminar entre ambos a discussão entre ambos começada. Estamos bem combinados, suponho, que tudo aquilo que é tocado por nosso sentido corpóreo não pode permanecer do mesmo modo num ponto sequer do tempo, senão que se move, deriva e não obtém nenhuma presença ou, falando em linguagem chã, não é. A filosofia divina e verdadeira aconselha a freiar e moderar o amor dessas coisas, que é perniciosíssimo e cheio de penas, para que o espírito, mesmo enquanto conduz a esse corpo, seja conduzido inteiramente e se apaixone por aquelas coisas que são sempre do mesmo modo e não agradam por serem de uma beleza efêmera. Sendo isso assim e vendo minha alma em si mesma a ti, verdadeiro e simples, que, nessa qualidade, sem o buliço dos sentidos, podes ser amado, não obstante confessamos que, estando tu corporal e espacialmente afastado e separado, buscamos estar contigo e ver-te e o desejamos desse jei...